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Senado dos EUA estuda proibir a troca de arquivos

O Senado dos EUA vai discutir esta semana um projeto para reformular as leis de direitos autorais e proibir as redes de troca de dados eletrônicos (peer-to-peer, ou P2P), e alguns aplicativos e sistemas que estão em mãos dos usuários. O senador Orrin Hatch (republicano de Utah) apresentará o projeto de lei, chamado "Lei de Indução", que propõe punir quem "intencionalmente ajudar, cooperar, induzir, aconselhar ou conseguir" infringir as leis de direitos autorais.
A iniciativa de Hatch preocupa as empresas de tecnologia e de dados eletrônicos. Se for aprovado, reformará profundamente as leis de direitos autorais e proibirá as redes eletrônicas nas quais os usuários trocam documentos. Ao mesmo tempo, tornaria teoricamente ilegais os usos de certos aparelhos, como videocassetes.

Para Jessica Litman, professora da Universidade Estadual de Wayne, em Michigan, uma lei assim restringiria o desenvolvimento de novas tecnologias. "O que (os defensores do projeto) querem é que seja legalmente arriscado introduzir tecnologias que possam ser usadas para a violação dos direitos autorais", interpretou Litman. "Por isso é que o texto é de grande amplitude."

De acordo com o que se conhece até agora sobre a proposta de Hatch, ela colocaria na fronteira da ilegalidade websites como o Tucows, que mantém programas como o Morpheus, usado para troca de arquivos entre os usuários.

Philip Corwin, advogado da empresa Sharman Networks, afirmou que "a iniciativa é simples e letal". A Sharman distribui o Kazaa, atualmente um dos principais programas para intercâmbio de documentos eletrônicos entre usuários de internet. "Se alguém fabrica um produto de dupla utilidade, que pode ser usado ou não para violar leis de direitos autorais, e o fabricante sabe que há uma infração, já é responsável e pode ser processado", acrescentou.

Orrin Hatch, presidente do Comitê Judicial do Senado, é um mórmon conservador que lançou uma campanha enérgica contra a pornografia. Ironicamente, a iniciativa mais recente do senador o coloca como aliado dos produtores de material pornográfico, já que seus arquivos estão entre os mais ilegalmente copiados e distribuídos na Internet.

No ano passado, Hatch sugeriu que os proprietários de direitos autorais deveriam ter o poder de destruir a distância os computadores que pirateiam músicas. Um ano atrás, durante uma audiência sobre métodos para impedir que os usuários de Internet trocassem ilegalmente arquivos de música e filmes, o senador perguntou aos diretores de empresas tecnológicas se haveria forma de danificar os computadores que participam desses sistemas. Quando um executivo respondeu que destruir computadores não interessava a ninguém, Hatch replicou que essa pode ser a única forma de ensinar alguém a respeitar os direitos autorais.

O projeto deveria ter sido apresentado ao Senado na semana passada, mas foi adiado por disputas entre defensores e adversários. Dois meses atrás, o mesmo senador apresentou outro projeto de lei para outorgar ao Departamento de Justiça atribuições para processar quem violar leis de direitos autorais. As penas vão desde multas até, sob certas circunstâncias, longas penas de prisão.

Em 1984, uma série de exigências sobre os então populares sistemas de vídeo Betamax chegou à Corte Suprema. Por 5 votos a 4, o tribunal determinou que esses aparelhos eram legais porque "podiam ser usados substancialmente para fins que não infringem" as leis de direitos autorais. Jeff Joseph, vice-presidente da Associação dos Consumidores de Eletrônicos, disse que a iniciativa de Hatch "no mínimo convida a reconsiderar a decisão da Corte Suprema no caso do Betamax".

O projeto, acrescentou, "foi redigido para ter essa aparência simpática e inofensiva que protege as crianças da pornografia, mas é claramente uma tentativa escusa de eliminar e tornar ilegais os serviços peer-to-peer. Nossa preocupação é que estão atacando a tecnologia".

EFE

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